Como descobrir se o preço que eu cobro está certo?
Recursos Extras — atualizado em 17/09/2026
Existe uma diferença grande entre calcular um preço e conferir se ele se sustentou. O Precifique faz o primeiro. Este artigo é sobre o segundo — usar o que já está registrado na plataforma para responder se o preço que você pratica hoje realmente paga o seu trabalho.
O ciclo completo
- Calcular o preço no Precifique
- Praticar esse preço nos pacotes
- Medir o que cada trabalho realmente consumiu
- Conferir o resultado nos Relatórios
- Corrigir o preço e recomeçar
A maioria para no passo 2. É por isso que o preço envelhece sem ninguém perceber.
Passo 1 — Calcular
Use o Precifique, no menu lateral. Ele soma custos fixos mensais, depreciação do equipamento, custos do trabalho específico, a sua margem e o imposto.
Veja "Como funciona o Precifique na prática?" para um exemplo com números.
Passo 2 — Praticar
Leve o valor calculado para o pacote, em Produtos & Serviços.
⚠️ Preencha o campo Custo estimado do pacote. É ele que permite comparar preço e custo depois. Pacote sem custo cadastrado mostra faturamento, nunca lucro.
Passo 3 — Medir o que o trabalho realmente consumiu
Aqui é onde a conta encosta na realidade.
Tempo. Use o cronômetro do card em pelo menos três trabalhos do mesmo tipo. Meça deslocamento e edição, não só a sessão — são as horas que ninguém cobra.
Custos. Lance no Financeiro cada despesa do trabalho vinculada àquele trabalho: combustível, assistente, estacionamento, impressão, álbum. Sem o vínculo, a despesa some do resultado daquele trabalho e vira "custo geral do mês".
Receita. O mesmo vale para o que entrou: vinculado ao cliente e ao trabalho.
💡 Três trabalhos medidos valem mais que trinta estimados. Não precisa cronometrar tudo para sempre — precisa medir o suficiente para saber a média real.
Passo 4 — Conferir
Abra Relatórios e olhe três coisas, nesta ordem:
Margem de lucro. Não a receita. Faturar mais com margem menor é trabalhar mais para ganhar igual.
Ticket médio e valor médio por trabalho. Compare com o preço que você acha que cobra — costuma haver uma diferença, criada pelos descontos que você não lembra de ter dado.
Top 5 pacotes vendidos. O pacote que mais vende é o mais lucrativo? Se o campeão de vendas for o de menor margem, o seu volume está trabalhando contra você.
Passo 5 — As contas que revelam o problema
Com os números em mãos, faça três divisões simples:
Preço ÷ horas medidas = seu valor-hora real.
Inclua deslocamento, edição e reunião. É comum o resultado ficar abaixo do que você pagaria a um assistente.
(Preço − custo do pacote − custos lançados) = o que sobrou de verdade.
Esse número, e não o preço, é o que remunera você.
Compare dois tipos de trabalho por valor-hora, não por preço.
O evento de R$ 3.000 que consome 40 horas rende menos que o ensaio de R$ 800 que consome 6.
Os sinais de que o preço está errado
- A margem cai mês a mês, mesmo com a receita subindo
- O valor-hora real de um tipo de trabalho é menor que o de outro que você cobra menos
- Você vive dando desconto para fechar — sinal de que o preço de tabela não é o preço real
- Um pacote vende muito e aparece mal no lucro
- O equipamento precisa ser trocado e não há reserva para isso — a depreciação nunca entrou na conta
Quando refazer a conta
- Sempre que comprar equipamento novo
- Quando mudar de regime tributário
- Quando um custo fixo relevante mudar (aluguel, software, contador)
- A cada seis meses, no mínimo — nem que seja para confirmar que está tudo certo
💡 Reajuste de preço não precisa ser grande nem anunciado. Precisa ser feito. O preço que era justo há dois anos raramente continua sendo hoje, e quem não recalcula acaba financiando o próprio cliente.